Autor: indeovbrasil

Cannabis pode ajudar a controlar o diabetes

O diabetes é uma doença crônica que faz com que o corpo não produza insulina (hormônio responsável pela redução da glicemia no sangue – taxa de glicose) ou não consiga usar de forma correta a insulina que produz. Portanto, quando se fala em diabetes, estamos falando sobre o desequilíbrio da taxa de açúcar no sangue. E, por isso, a Cannabis pode ajudar a controlar o diabetes.

O efeito regulador da Cannabis pode colaborar para que os pacientes que tenham diabetes são sofram com os sintomas desconfortáveis da doença, como fome e sede frequentes, vontade de urinar diversas vezes ao dia, perda de peso, fraqueza, fadiga, mudanças de humor, náusea, vômitos e infecções de pele.

Esses sintomas ainda podem variar de acordo com o tipo da doença: Diabetes do Tipo 1 ou do Tipo 2.

Além disso, estudos também apontam para a eficácia da Cannabis no controle da obesidade, um fator de risco para o desenvolvimento do diabetes do Tipo 1 (a mais grave), e na redução da gordura no fígado, condição que afeta muitos pacientes com a doença.

Estudo mostra que Cannabis pode ajudar a controlar o diabetes

Uma pesquisa feita com 4.657 homens e mulheres adultos, nos EUA, e publicado no The American Journal of Medicine, descobriu que o uso de Cannabis está associado a níveis mais baixos de insulina em jejum, diminuição na resistência à insulina e menor circunferência da cintura.

Isso significa que a Cannabis colabora com a administração das taxas de açúcar no sangue, evitando, assim, os sintomas da doença.

Veja mais como a Cannabis pode colaborar no tratamento doa diabetes.

Cannabis no controle do diabetes obesidade

Outro ponto forte quando o assunto é diabetes é a obesidade. O acúmulo excessivo de gordura é responsável pelo aumento da produção de insulina pelo pâncreas.

Um estudo brasileiro, realizado por pesquisadores da Universidade Gama Filho (MG) aponta que existe uma correlação entre a obesidade e oa diabetes do Tipo 2

De acordo com os pesquisadores, à medida que o indivíduo aumenta sua massa gorda, seus níveis glicêmicos também se elevam, aumentando o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Diante de camundongos com um quadro de obesidade, pesquisadores da Universidade Metropolitana Nelson Mandela, na África do Sul, realizaram testes para investigar o efeito de um extrato de cannabis orgânico na função secretora de insulina e determinar as alterações moleculares associadas no tecido pancreático.

De acordo com o estudo, os “resultados sugerem que o extrato de cannabis protege as ilhotas pancreáticas contra os efeitos negativos da obesidade.” 

Como os danos no pâncreas são os principais problemas do diabetes, o uso da Cannabis pode ajudar no combate aos efeitos da obesidade sobre o pâncreas.

Gordura no fígado, diabetes e Cannabis

Muitos diabéticos sofrem com esteatose hepática, mais conhecida como gordura no fígado, que pode agravar o quadro da doença. Inclusive essa relação foi um dos destaques em um dos congressos da American Diabetes Association.

Pesquisadores norte-americanos publicaram um artigo onde discutem o papel dos canabinoides no desenvolvimento da esteatose. Na publicação, os autores citam que “evidências recentes sugerem que os canabinoides desempenham um papel importante na modulação do fígado gorduroso”.

Diante das explanações científicas, os autores concluíram que existe uma “boa oportunidade para os cientistas farmacêuticos projetarem drogas para tratar doenças hepáticas, incluindo esteatose, com base nos canabinoides, endocanabinoides e modelos relacionados, que parecem ativar os receptores CB2 que também podem contribuir para o fígado gorduroso.”

Portanto, a cannabis pode ajudar a controlar diabetes.

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Terapia canabinoide reduziria internações por doença falciforme

A dor é uma das queixas comuns entre aqueles diagnosticados com doença falciforme. Como, em muitos estados, de diferentes países, a dor é listada como uma das condições para a adoção de terapias canabinoides, pesquisadores vinculados à Universidade de Yale, em Connecticut e à Escola de Medicina Sackler, em Israel, decidiram ampliar as pesquisas em torno do assunto a fim de ajudar profissionais a qualificarem melhor seus pacientes quanto à adoção desse tipo de terapia.

O que é doença falciforme?

A doença falciforme é hereditária, provocada por uma modificação no DNA, que no lugar de produzir a hemoglobina (Hb) A dentro dos glóbulos vermelhos ou hemácias, produz a hemoglobina S (HbS). Segundo a American Society of Hematology, os principais sintomas da doença falciforme são a anemia crônica, icterícia (cor amarelada na parte branca dos olhos), mãos e pés inchados e muita dor nos punhos e tornozelos (frequente até os dois anos de idade) e crises de dores em músculos, ossos e articulações.

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Métodos e resultados

Voltando ao estudo, para iniciá-lo, os pesquisadores convidaram 50 pacientes que tinham sido qualificados para receber tratamentos à base de terapia canabinoides. Desses, 29 realmente foram liberados e certificados para usar produtos à base de canabinoides, e 22 deles, não.

Os dois conjuntos de pacientes foram agrupados como “obteve” e “não obteve”. Foi avaliado ainda um grupo de 25 pacientes que não havia requerido obter tratamento com terapia canabinoide e manteve somente o uso de opioides para controle da dor.

Para avaliar os resultados, todos os grupos foram acompanhados pelo período de seis meses. Os pesquisadores empregaram também um questionário que levantava gênero, idade, uso concomitante de opioides, uso ilícito de cannabis e outras informações.

Após todas as análises e ressalvas, o que observou-se foi que os pacientes que passaram a administrar produtos à base de canabinoides apresentaram uma redução na taxa de internações durante o tempo em que foram avaliados, quando comparado ao período prévio e ao grupo que não recebeu a terapia.

Mudança nas taxas de admissão de 6 meses a 6 meses após a certificação/obtenção de terapia canabinoide. Cada barra representa um paciente. A mudança positiva nas internações representa um aumento das internações em relação aos 6 meses anteriores; a mudança negativa representa uma diminuição; e 0 não representa nenhuma mudança.

Conclusões e achados

A conclusão foi de que a maioria dos pacientes que solicitou o uso de canabinoides na forma terapêutica já fazia uso ilícito de maconha. No entanto, isso ocorria, boa parte das vezes, por razão de barreiras que impediam esses pacientes de usar a terapia canabinoide ao invés de maconha ilícita.

Sendo assim, a hipótese adotada pelos pesquisadores é de que o uso de terapias canabinoides é mais apropriado por dois motivos possíveis:

1. Em primeiro lugar, produtos terapêuticos à base de cannabis são feitos com cânhamo de alta qualidade e se diferem da cannabis ilícita.

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2. Em segundo lugar, os pacientes eram mais propensos a usar produtos comestíveis em comparação com produtos inalados ao usar cannabis com fins terapêuticos. Os produtos inalados têm um início de efeito rápido, mas curto em comparação com os produtos comestíveis, onde os efeitos podem durar até 8 horas e podem melhorar o controle da dor.

Apesar do otimismo, os pesquisadores ressaltam a necessidade de ampliação dos estudos para se certificarem dos benefícios, sobretudo porque, em razão das diferentes leis, nem todos os pacientes fizeram uso dos mesmos tipos de produtos.

Mais detalhes desse estudo, você encontra aqui (em inglês).

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