Cannabis no tratamento dos sintomas do HIV/Aids

Segundo dados divulgados pela Uniaids, estima-se que até o fim de 2019
havia cerca de 38 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com o
HIV. Felizmente, a mortalidade relacionada à Aids diminuiu 39% de 2010 a 2019. Entretanto, apesar da redução de mortes, milhares de pessoas ainda
enfrentam a doença e seus impactos no desequilíbrio do sistema imunológico. Assim, a Cannabis pode colaborar no tratamento dos sintomas do HIV/Aids.

O HIV é um vírus que se espalha através de fluídos corporais e afeta células
específicas do sistema imunológico, tornando o organismo incapaz de lutar
contra infecções e doenças.

Nem sempre quem tem o vírus do HIV desenvolve a Aids, porém, ambas
situações podem causar sintomas como febre, feridas pelo corpo, inchaço no pescoço, axilas e virilha, infecções, aftas, vômitos, náuseas, perda de apetite, ansiedade, depressão, dores crônicas e tantos outros.

Algumas das consequências da doença vêm da ação do próprio vírus, outras aparecem como efeitos colaterais do tratamento com antirretrovirais, usados para combater a propagação do vírus e reestabelecer o equilíbrio do sistema imunológico.

Portanto, se falamos em regulação deste sistema, estamos falando do potencial do sistema endocanabinoide neste processo de reequilíbrio.

Além disso, o uso da Cannabis também pode impactar na redução da carga viral, como demonstrou um estudo produzido pela British Columbia Centre for Excellence in HIV/AIDS, no Canadá.

Pacientes recrutados entre 1996 e 2012, infectados há mais de um ano, foram monitorados.

O resultado foi uma redução de aproximadamente 12% da carga viral nos usuários de Cannabis fumada diariamente.

Estudos: Cannabis no tratamento do HIV/Aids

Estudos: Cannabis no tratamento dos sintomas do HIV/Aids

A falta de apetite é um dos sintomas mais relatados por pacientes com HIV. E não nutrir um corpo com o sistema imunológico em risco pode ter consequências devastadoras, podendo levar, inclusive, à morte.

Porém, um estudo do Reino Unido, publicado no Journal of Paim and Symptom Management, avaliou 523 questionários respondidos por pessoas com o vírus.

A análise conclui que 27% usaram Cannabis para tratar sintomas associados ao HIV e 97% desse grupo melhoraram o apetite com o uso da planta.

Outro ponto de atenção na pesquisa foram os relatos referentes a dor, o segundo sintoma mais relatado pelos pacientes da pesquisa. Dos 45% dos pacientes que afirmaram sentir dor, 94% afirmaram que a Cannabis colaborou com a redução das dores.

Além da falta de apetite e da dor, o estudo afirma que “os resultados coletivos demonstraram melhora estatisticamente significativa em metade ou mais dos pacientes em sintomas como náusea, ansiedade, dor nos nervos, depressão, formigamento, dormência, perda de peso, dores de cabeça, tremor, constipação e cansaço.”

Um ensaio clínico cruzado de fase II, duplo-cego e controlado por placebo foi feito pela Universidade da Califórnia para avaliar o impacto da Cannabis fumada na dor neuropática do HIV. A dor neuropática reduz a qualidade de vida e o funcionamento diário dos indivíduos infectados.

Os voluntários tinham dor neuropática refratária a pelo menos duas classes analgésicas anteriores, além de continuarem com seus regimes de analgésicos durante todo o estudo.

O resultado primário foi a mudança na intensidade da dor. Entre os participantes, o alívio da dor foi maior com Cannabis do que com placebo. A conclusão foi que “a Cannabis fumada foi geralmente bem tolerada e eficaz quando adicionada à terapia analgésica concomitante em pacientes com dor refratária ao medicamento devido ao HIV DSPN.”

Cannabis, HIV e inflamação

O processo inflamatório que o vírus proporciona é um dos grandes desafios e dos pacientes com HIV, mesmo daqueles com carga viral indetectável. E, nem sempre, os antirretrovirais alcançam todas as áreas inflamadas do organismo.

Um estudo brasileiro realizado sem o intuito de indicar a Cannabis como tratamento das inflamações causadas pelo vírus, destaca o papel importante do sistema endocanabinoide na ação anti-inflamatória nos pacientes infectados. 

De acordo com o estudo, o HIV não infecta diretamente os neurônios, mas prejudica sua função através da indução da produção de fatores inflamatórios pela micróglia (tipo de célula do sistema imune presente no sistema nervoso central) infectada e ativada. O resultado aponta que há indícios de que os canabinoides poderiam atuar na diminuição do processo inflamatório causado pelo HIV.

Os níveis relativamente altos de inflamação fazem com que pessoas que vivem com HIV apresentem taxas mais altas de doenças crônicas não infecciosas. 

E um estudo canadense quer mostrar que a Cannabis, tomada por via oral, é uma forma de reduzir a inflamação e fortalecer as respostas imunológicas.

Para estudar melhor os efeitos da Cannabis em infectados com o vírus, pesquisadores fizeram uma proposta para realizarem um ensaio piloto randomizado para examinar a segurança e tolerabilidade dos óleos de Cannabis contendo THC e CBD consumidos por via oral em pessoas que vivem com HIV. 

A proposta foi aprovada pelo Instituto de Pesquisa do Centro de Saúde da Universidade McGill. O estudo está na segunda fase, e ainda não há resultados divulgados. 

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