Cannabis pode ser solução para a pandemia do uso de opioides

O uso dos opioides e opiáceos se tornou um problema perigoso e muitas vezes fatal entre as pessoas que sofrem com dores crônicas. Entretando, a Cannabis pode ser solução para a pandemia do uso de opioides.

A estimativa é que somente no Brasil, 80 milhões de pessoas estejam nessa condição, abrindo um enorme mercado para os analgésicos à base de ópio.

O vício neste tipo de medicamento já é considerado um problema de saúde pública nos EUA, onde cerca de 2,6 milhões de pessoas são dependentes de opiáceos, que podem levar à overdose.

Os opioides são derivados da papoula, planta com a qual ambém se faz o ópio.

Seu poder analgésico e de redução de distúrbios mentais tem levado milhões de pessoas a recorrerem a esse tipo de medicamento.

Porém, os opiáceos, além de causarem euforia, também viciam e podem matar.

Novas normas, novos desafios

Os perigos desse tipo de medicamento fizeram com que as prescrições nos EUA ficassem mais rígidas, o que causou um aumento no consumo de opioides sintéticos por parte dos dependentes.

Esse cenário foi uma bomba.

A intenção de restringir o acesso era de proteger a população, porém impactou no mercado clandestino dos sintéticos.

E esse cenário pode ter colaborado com a morte de milhares de pessoas.

De acordo com o CDC (Center for Disease Control), órgão estatal de saúde pública, as mortes por overdose nos EUA aumentaram 7% em 2017, chegando a 71.658.

O crescimento caminha lado a lado com o cenário de restrição.

No Brasil, as prescrições médicas de opiáceos vendidos na farmácia aumentou 465% de 2009 a 2015, passando de 1.601.043 para 9.045.945, segundo dados da Anvisa (Agência Nacional de Saúde).

E, segundo relatório da Fio Cruz, 4,4 milhões de brasileiros já fizeram uso ilegal (isto é, sem indicação médica) de algum opiáceo.

Entretanto, a Cannabis tem sido vista como uma alternativa possível para conter esses danos na saúde pública.

Um artigo publicado no JAMA Internal Medicine aponta que as prescrições de opioides caíram 3,74 milhões de doses diárias por ano quando os dispensários de cannabis medicinal foram abertos nos EUA.

Os autores também analisaram os dados de prescrição do Medicaid de 2011 a 2016.

O levantamento mostrou que as leis que regulamentam e legalizam o uso da Cannabis terapêutica e recreativa estavam associadas a reduções anuais nas taxas de prescrição de opioides de 5,88% e 6,38%, respectivamente

Cannabis: uma alternativa possível

Um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia aponta que houve uma redução na mortalidade por overdose nos estados que liberaram a Cannabis Medicinal nos EUA.

A pesquisa aponta que houve uma queda de 24,8% nas mortes por uso de opiáceos, entre 1999 e 2010, em comparação a estados que não legalizaram o uso medicinal da planta.

Quem endossa o resultado desses estudos é a Drug Policy Alliance, que, por meio de pesquisa, divulgada em 2018, sugere que o acesso legal a Cannabis pode levar a uma diminuição no uso de opioides prescritos, bem como reduções nos danos relacionados aos opioides, incluindo mortes por overdose de opioides.

Outro estudo, ainda mais recente, publicado em 2020 no American Journal of Public Health, elaborado por pesquisadores canadenses, conclui que o uso de Cannabis pelo menos uma vez ao dia está associado a um aumento de 16% na taxa de risco de interrupção da injeção de opioides.

Veteranos de guerra apostam na Cannabis contra os opioides

Muitos veteranos de guerra nos EUA sofrem de TEPT (Estresse Pós-Traumático).

Com dores crônicas, ansiedade, depressão e fobias, esses militares estão entre os principais consumidores de opioides e, por consequência, sofrem com a dependência e são vítimas frequentes de overdose e suicídio.

Vincente Lawrence, comandante da “Veterans of Foreign Wars of the U.S” (associação que cuida dos veteranos de guerra), está entre os militares americanos aposentados que estão pressionando políticos norte-americanos em Washington para que mais pesquisas sobre os efeitos da cannabis sejam feitas no país.

Em uma reunião em 2019, Vincent contou que os veteranos que usam a Cannabis medicinal estão fazendo sem a orientação médica e isso é consequência da falta de pesquisa federal e do entendimento de como a Cannabis medicinal pode tratar certas doenças e lesões.

Em 2020, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma emenda a um Projeto de Lei de gastos em Defesa que permitiria que os militares usassem o CBD para se tratarem.

Uma pesquisa publicada em 2019 no American Journal of Psychiatry destaca o potencial do canabidiol como opção de tratamento para o abuso de opioides.

O estudo também revelou que o CBD tende a reduzir as medidas fisiológicas de reatividade ao estresse, como aumento da frequência cardíaca e níveis de cortisol, que são induzidos por estímulos de drogas.

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