Cannabis no tratamento da ansiedade, depressão e TEPT

Como lidamos com nossas emoções é um dos fatores determinantes para aferir a qualidade da nossa saúde mental. E a cannabis pode ajudar no tratamento de transtornos como a depressão e a ansiedade.

É o desequilíbrio emocional que facilita o surgimento de transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, bipolaridade, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) entre outros.

E produtos à base de cannabis têm sido uma alternativa para pacientes que querem, principalmente, se livrar dos eleitos colaterais dos medicamentos alopáticos.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta para a pandemia de problemas mentais que o mundo enfrenta, principalmente no que diz respeito à depressão.

Depressão no Brasil e no mundo

O Brasil é o segundo país com o maior número de depressivos nas Américas, com 5,8% da população. Em primeiro estão os Estados Unidos, com 5,9%.

A doença afeta 4,4% da população mundial, e a maior prevalência de ansiedade no mundo é no Brasil, com 9,3% da população com sintomas de ansiedade.

Entre esses sintomas estão: fobia, TOC, TEPT e ataque de pânico.

Há quem desconfie da eficácia da cannabis no tratamento de doenças mentais diante do senso comum de que a planta afeta negativamente o sistema neurológico.

Mas o uso medicinal da Cannabis traz novas perspectivas.

Estudos que estão ajudando a mudar a opinião das pessoas a partir dos resultados positivos nos tratamentos em pacientes com problemas de saúde mental.

Veja como a Cannabis pode colaborar no tratamento da depressão, da ansiedade e de outros transtornos e distúrbios.

Cannabis no tratamento da ansiedade

Diante do quadro alarmante de ansiedade no mundo e, principalmente, no Brasil, apontado pela OMS, e diante de tratamentos crônicos com remédios alopáticos, a Cannabis surge como uma alternativa promissora.

Entre os efeitos colaterais mais comuns dos alopáticos estão: sonolência, comprometimento da coordenação motora, amnésia, enjoo, vertigens entre tantos outros,

Entretanto, de acordo com estudos científicos, a cannabis é uma opção para o tratamento de depressão e ansiedade.

CBD como alternativa

Um estudo feito nos Estados Unidos, em 2015, sobre o potencial do CBD para o tratamento de transtornos de ansiedade conclui que as evidências pré-clínicas demonstraram de forma robusta a eficácia do CBD na redução de comportamentos de ansiedade.

O quadro de ansiedade engloba transtornos como TEPT, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno do Pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo e Transtorno Afetivo Sazonal, com uma “notável falta de efeitos ansiogênicos”, que significa que o CBD se mostrou incapaz de causar desconforto físico ou psíquico usualmente presente nos tratamentos alopáticos.

Outro estudo reforça os efeitos ansiolíticos do CBD apontados anteriormente.

Uma pesquisa realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) , em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), ambas da USP, comprovou que a substância extraída da Cannabis possui efeito ansiolítico, sem causar dependência, reduzindo, sobretudo, o medo de falar em público em pessoas que possuem fobia social.

Entretanto, pesquisadores do Rio de Janeiro também testaram os efeitos ansiolíticos do CBD em animais, voluntários saudáveis e pacientes com transtornos de ansiedade.

A conclusão é que o CBD (canabidiol), além de ter propriedades ansiolíticas, não tem efeitos psicoativos e não afeta a cognição, possuindo, dessa forma, um perfil de segurança adequado e boa tolerabilidade.

Porém, é preciso ficar atendo. O THC, um dos canabinoides mais estudados ao lado do CBD, pode ter um efeito inverso do promovido pelo canabidiol, causando mais ansiedade.

Portanto, quem sofre de ansiedade deve redobrar a atenção com o tipo de produto a base de  Cannabis que será usada como tratamento, dando preferência para os óleos ricos em CBD e com baixas concentrações de THC.

Por isso, é importante consultar um médico ou médica prescritor de Cannabis para uso medicinal.

Cannabis no tratamento da depressão

A OMS afirma que 322 milhões de pessoas no mundo sofrem com depressão. Só no Brasil, há 12 milhões de casos.

Números esses que podem ter sofrido um aumento significativo durante a pandemia de coronavírus.

Pesquisadores da Universidade do Novo México (UNM), EUA, examinaram os efeitos imediatos da Cannabis nos sintomas de depressão. Eles usaram dados do Releaf App, um aplicativo que ajuda consumidores a gerenciar o uso da planta e relatar os sintomas e efeitos colaterais. Os dados mostraram que há uma melhora média dos sintomas de quase quatro pontos numa escala de 0 a 10.

Uma pesquisa brasileira endossa o potencial antidepressivo da Cannabis. Um estudo sobre “Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria”, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, aponta que o CBD tem “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Além disso, o mesmo estudo demonstrou que o “THC e seus análogos têm efeitos ansiolíticos, na dependência de Cannabis, bem como adjuvantes no tratamento de esquizofrenia, apesar de ainda carecerem de mais estudos.”

Cannabis alivia sintomas do TEPT

Nos EUA há um forte movimento encabeçado por veteranos de guerra com TEPT (Transtorno do Estresse Pós Traumático), que veem no uso medicinal da Cannabis uma alternativa ao uso de opioides, que já resultaram na overdose mais de 218 mil norte-americanos entre 1999 e 2017, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Os opioides se popularizaram por causa do seu poderoso efeito de alívio para dor, além de reduzir a ansiedade e a depressão. Porém, seus efeitos colaterais são catastróficos, causando letargia, distúrbios alimentares e até morte.

Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Washington analisou os efeitos de curto e longo prazo da Cannabis nos sintomas do TEPT. Mais de 50% relataram redução nos “flashbacks” (lembranças dos momentos traumáticos), 62% tiveram pensamentos ligados aos traumas reduzidos, 66,5% relataram melhora na irritabilidade e 57% tiveram redução nos quadros de ansiedade. Vale destacar que o estudo foi feito por meio de autodeclaração e não houve comparação com grupos que fizeram uso de placebo.

Porém, um estudo canadense, ainda preliminar, mas mais completo, feito com o canabinoide sintético nabilona aponta uma redução na frequência e intensidade dos pesadelos em indivíduos com TEPT.

Portanto, mesmo com pequena amostragem, os pesquisadores concluíram que o uso do canabinoide é “promissor como um tratamento clinicamente relevante para pacientes com pesadelos e uma história de não resposta às terapias tradicionais.”

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